Decisões de cuidado,
organizadas em contexto.
Uma visão prática das opções de tratamento descritas nas diretrizes brasileiras, organizada por tumor, biomarcador e momento do cuidado.
Biblioteca de tumores
MÓDULO INICIALCâncer de mama
Tratamento por perfil tumoral
PCDT · 2024RH positivo significa que as células têm receptores hormonais e podem responder à hormonioterapia; por isso, tamoxifeno ou inibidor da aromatase aparecem conforme menopausa e etapa. HER2 positivo significa expressão/amplificação aumentada de HER2, alvo de medicamentos como trastuzumabe; quimioterapia pode ser combinada a ele nos esquemas descritos. Triplo-negativo não expressa RH nem HER2, então esses alvos hormonais e anti-HER2 não orientam o tratamento; a PCDT descreve quimioterapia. O resultado dos marcadores, estágio e cenário clínico precisam ser lidos juntos. Base: PCDT Câncer de Mama, 2024 ↗
RH positivo · HER2 negativo
Doença inicial ou localmente avançadaNeoadjuvância, quando indicada
Inibidor de aromatase por 6 meses quando indicada a hormonioterapia neoadjuvante. Quimioterapia é considerada conforme risco e cenário clínico.
Tratamento local e adjuvante
Cirurgia ± radioterapia conforme cenário. Se indicada quimioterapia: AC → taxano; TC em situações selecionadas.
Hormonioterapia adjuvante
Tamoxifeno ou inibidor de aromatase conforme estado menopausal e contexto. Em pré-menopausa selecionada, avaliar supressão ovariana. Duração mínima sugerida: 5 anos; extensão é individualizada pelo risco-benefício.
HER2 positivo
Doença inicial ou localmente avançadaNeoadjuvância preferida em cenários indicados
AC → paclitaxel + trastuzumabe (AC-TH) ou docetaxel + carboplatina + trastuzumabe (TCH). O PCDT consultado não incorpora pertuzumabe para este cenário.
Adjuvância e resposta residual
Após cirurgia, completar tratamento anti-HER2 conforme esquema. Para estádio III com doença residual após neoadjuvância, o PCDT prevê T‑DM1; se não elegível, pode-se completar 1 ano de trastuzumabe.
Triplo-negativo
Doença inicial ou localmente avançadaQuimioterapia neoadjuvante em doença indicada
Antraciclina → taxano; em cenários descritos, paclitaxel + carboplatina. Seleção conforme estágio e condição clínica.
Após cirurgia
Se houver doença residual após neoadjuvância, o PCDT descreve capecitabina adjuvante por 8 ciclos. A radioterapia é considerada conforme tratamento local e cenário.
Doença avançada / metastática
ESTÁDIO IVRH positivo indica possível benefício de hormonioterapia; se HER2 também for negativo, a PCDT organiza opções endócrinas e, em cenários definidos, combinações com inibidor CDK4/6. HER2 positivo indica alvo para trastuzumabe e pertuzumabe em cenários elegíveis. Triplo-negativo não tem esses alvos e a diretriz descreve quimioterapia sequencial. Na recidiva, confirmar perfil tumoral quando possível e considerar tratamentos prévios e condição clínica. Base: PCDT Câncer de Mama, 2024 ↗
RH positivo · HER2 negativo
Sem crise visceral1ª linha
Inibidor de aromatase + palbociclibe, ribociclibe ou abemaciclibe; alternativa conforme cenário: fulvestranto + iCDK4/6.
2ª linha e subsequentes
Se ainda não utilizado, combinar iCDK4/6 com fulvestranto ou inibidor de aromatase. Outras opções hormonais incluem fulvestranto, exemestano, inibidor de aromatase ou tamoxifeno conforme exposições anteriores.
HER2 positivo
Doença avançada1ª linha
Pertuzumabe + trastuzumabe + docetaxel. Se pertuzumabe indisponível: trastuzumabe + quimioterapia, conforme PCDT e elegibilidade.
Progressão após trastuzumabe
O PCDT consultado não estabelece alternativa SUS específica pós-progressão para esse cenário; explicita lacuna de incorporação. Conduta deve seguir protocolo institucional atualizado.
Triplo-negativo
Doença avançadaQuimioterapia paliativa sequencial
Quimioterapia sequencial conforme exposição prévia: doxorrubicina/epirrubicina, paclitaxel/docetaxel, capecitabina ou vinorelbina.
Biblioteca de protocolos
ESQUEMAS · FONTES · LACUNASA busca abre esquemas por sigla e princípio ativo. As doses e intervalos do AC/AC‑T/TCH abaixo vêm do PCDT brasileiro de mama (2024). O protocolo ovariano com carboplatina + paclitaxel é referência clínica internacional (eviQ), não uma recomendação do SUS. Pré-QT e suporte podem variar por produto, risco e política institucional; confirmar antes do uso.
Mama · quimioterapia inicial
PCDT 2024AC · doxorrubicina + ciclofosfamida
Indicação: um dos esquemas de quimioterapia adjuvante/neoadjuvante da PCDT, quando quimioterapia estiver indicada. Não é uma sequência universal para todo perfil/estádio.
Suporte / pré-QT e atenção
Antiemese conforme protocolo institucional para esquema altamente emetogênico. Se usar intervalo de 14 dias, a PCDT indica suporte com fator estimulador de colônias (G-CSF) quando disponível. Doxorrubicina: mielossupressão, náusea/mucosite, cardiotoxicidade cumulativa e risco de extravasamento (vesicante). Ciclofosfamida: mielossupressão, náusea e cistite hemorrágica.
A PCDT não fixa nesta tabela um único regime de antiemese nem uma bula de preparo. Verificar função cardíaca, hemograma, toxicidade prévia, dose cumulativa e protocolo institucional.
AC → taxano · AC‑T
Indicação: sequência de quimioterapia citada pelo PCDT em cenários selecionados. AC é seguido, não misturado, ao taxano.
Suporte e toxicidades principais
Para AC dose-densa, G-CSF conforme PCDT. Paclitaxel/docetaxel: hipersensibilidade relacionada à infusão, neuropatia periférica, mielossupressão e alopecia; usar pré-medicação específica do taxano e produto conforme bula/protocolo. Antraciclina: cardiotoxicidade cumulativa e extravasamento. Antiemese para AC conforme protocolo local.
Mama · HER2 positivo · TCH
PCDT 2024TCH · docetaxel + carboplatina + trastuzumabe
Indicação: opção de esquema HER2+ descrita pela PCDT. Marcador HER2, estádio e elegibilidade determinam se este esquema se aplica.
Suporte / pré-QT e toxicidades principais
Pré-medicação de docetaxel conforme bula/protocolo específico; antiemese conforme risco do esquema. Carboplatina: mielossupressão (em especial trombocitopenia), náusea e hipersensibilidade; dose calculada pela função renal e AUC. Docetaxel: neutropenia, neuropatia, edema/reação de hipersensibilidade. Trastuzumabe: disfunção ventricular/insuficiência cardíaca e reação relacionada à infusão; avaliar função cardíaca durante o tratamento.
Carboplatina: Calvert = dose total (mg) = AUC alvo × [GFR (mL/min) + 25]. O valor renal inserido deve ser uma medida apropriada para Calvert: GFR medida é preferível quando estimativas podem ser imprecisas; eGFR em mL/min/1,73 m² não deve ser usada diretamente sem ajuste pela superfície corporal quando essa abordagem for indicada. A depuração de creatinina Cockcroft–Gault da calculadora ao lado não é automaticamente equivalente à GFR. Definição da função renal e AUC é decisão clínica/farmacêutica do protocolo, não da calculadora.
Ovário avançado · referência para carboplatina
Fonte clínica internacionalCarboplatina + paclitaxel a cada 3 semanas
Não é PCDT brasileiro: protocolo eviQ para doença epitelial ovariana avançada, apresentado como referência clínica externa. O DDT nacional descreve opções próprias; esta ficha não altera sua recomendação.
Pré-medicação / toxicidades principais
eviQ descreve antiemese com antagonista NK1 + 5-HT3 + dexametasona e pré-medicação do paclitaxel para hipersensibilidade; esquema de referência varia e pode divergir da política local. Principais riscos: neutropenia/mielossupressão, náusea, hipersensibilidade à infusão e neuropatia periférica por paclitaxel. Carboplatina deve ser dosada por Calvert com função renal em mL/min adequada.
Estimativa da dose de carboplatina
Informe a AUC prescrita e a GFR em mL/min previamente definida pela equipe. Resultado aritmético = AUC × (GFR + 25). Não calcula a GFR nem escolhe a AUC.
Não usar automaticamente creatinina/CrCl como GFR. Validar método renal, AUC e resultado com oncologista/farmacêutico e protocolo institucional. Não substitui prescrição nem dupla checagem.O que cada ficha deve trazer
1. Cenário tumoral e intenção (neo/adjuvante, curativo ou paliativo).
2. Fármacos, dose, via, dia do ciclo, intervalo e número/duração de ciclos quando a fonte especifica.
3. Pré-medicação e suporte com fonte; se não especificados, a lacuna fica marcada.
4. Toxicidades principais, ajustes e pontos de monitorização, sem inventar preparo.
Biblioteca de medicamentos
MAMA · FICHAS EM EXPANSÃOPesquise pelo princípio ativo. As fichas identificam indicação e dose descrita em diretriz. Diluição, estabilidade, pré-medicação (pré-QT) e administração só são exibidas quando conferidas em bula profissional brasileira da apresentação específica; quando faltarem, ficam explicitamente pendentes.
Calculadoras clínicas
ESTIMATIVAS · CONFERIR CONTEXTO CLÍNICOSuperfície corporal
Estimativa da superfície corporal para apoiar cálculos cuja prescrição usa mg/m².
Fórmula: √[(altura × peso) / 3600]. Não converte automaticamente em dose.Depuração estimada de creatinina
Estimativa em mL/min baseada em idade, sexo, peso e creatinina sérica.
Fórmula histórica: [(140 − idade) × peso] / [72 × creatinina]; fator ×0,85 para mulheres. A seleção do peso e a interpretação precisam considerar o paciente e o fármaco.Fontes e rastreabilidade
DOCUMENTOS OFICIAISOs módulos mostram a diretriz usada no próprio conteúdo. Consulte o documento oficial e confira sua vigência antes de qualquer decisão clínica.
Conteúdo resumido para navegação e educação profissional; não substitui a leitura integral da diretriz, protocolos institucionais, avaliação multidisciplinar ou julgamento clínico. Status de incorporação e documentos podem mudar; conferir fonte oficial na data do atendimento.